Quem sou eu?

Junho 1, 2009

Quem sou eu?

 

Quem sou eu….

Um trapo? Um farrapo!

Um autómato, uma migalha

Uma máquina que não pensa

Mas trabalha….

 

Quem sou eu?

Aqui e agora!

Nesta tristeza que implora,

Deixai-me passar.

Não me barres o caminho,

Quero ir, devagarinho.

 

Sentar-me á beira do rio,

Deixar a noite chegar

Contar as estrelas

E ver a lua brilhar

 

Sentir o silêncio

Dos sons que andam no ar

E o arrepio da brisa que vem do mar

Deixai-me acordar, do sonho

Que me enlouquece

Ou então que venha a paz

Que me adormece…

 

 

1-6-2009

 

Lou


foto

Maio 15, 2009

068


o meu jardim secreto

Abril 29, 2009

Queria ser eu

Queria ser eu! Não sei, talvez
Ser eu própria, sem razão nem timidez
Entrar no meu jardim secreto
Olhar tudo bem de perto
E encontrar o caminho
De onde eu venho? Já não sei…
Sei que vou devagarinho,
Não quero encontrar ninguém
Embora não saiba bem
Se a solidão me conforta
Mas se eu me encontrar, o que importa?
Conhecer-me bem de perto….
Deixar de temer por certo
Qualquer juízo que um dia,
Não me deixou ser eu mesma,
Para ser tudo o que ele queria
Apalpar a natureza,
E ter também a certeza
Da importância do momento,
Ler meu próprio pensamento
E saber bem a razão
Para a qual é que eu existo
Tenho que procurar…
Perdida a vaguear
No secreto labirinto
Deste meu belo jardim
Ainda que eu me perca.
Vai valer só pela luta
Quero saber quem eu sou!
Nesta vida que é tão curta.

Desabafo–1988


Na Praça da Figueira

Abril 13, 2009

Praça da Figueira

. Fui a Lisboa, tratar de vários assuntos, a certa altura, já cansada, passei na Praça da Figueira e sentei-me numa esplanada para tomar um sumo.
Estava um daqueles dias quentes de verão, um vento varria com suavidade a praça, dando um toque de frescura ainda que não fosse o suficiente para refrescar.
As pessoas sentavam-se e tentavam ser logo atendidas, sem paciência. Eu, como sempre passei o olhar por toda a praça, observando cada ser que por ali passava, imaginando o que faria o que iria no seu pensamento, qual seria a sua profissão, e qual o local onde se dirigiam. È assim uma espécie de jogo, com o qual me divirto imenso. Sempre adorei criar uma história para cada pessoa que passa. Alguns momentos depois, absorta nos meus pensamentos, vejo que há uma senhora que se aproxima da esplanada em que eu me encontrava.
Enquanto sonhava, tudo era entre o real e a fantasia, agora eu estava a sentir um entusiasmo diferente.
Aquele rosto era-me familiar.
Ela deveria ter mais ou menos, uns setenta anos, mas ainda, era uma senhora bonita e elegante.
Não me conseguia lembrar de onde a conhecia. Sem dar muito nas vistas eu não parava de observar, o seu nervosismo era notório. Estava acompanhada de duas crianças um menino e uma menina.
Sentou-se tal como eu na esplanada do mesmo café, e depois de pedir ao empregado o que desejava, olhou o relógio várias vezes, e ao mesmo tempo olhou à sua volta.
Eu vi claramente que ela estava a espera de alguém. Devia ter marcado encontro com algum amigo ou familiar. E mais uma vez eu comecei a fazer uma história.
Ela esperando alguém, e eu preenchendo um vazio. Estava naquela hora em que a natureza se abre ao sobrenatural, e ou apreciamos tudo até ao final ou liricamente ironizamos sobre aquilo que imaginamos poder ter acontecido. Entretanto chegou a pessoa por quem ela esperava.
Os seus olhos brilharam de uma maneira como eu nunca tinha visto, ela ficou radiante, com uma alegria descontrolada, levantou-se para abraçar e receber aquele abraço que só acontece quando se ama até ao infinito. O céu, mudou de cor iluminado com se derrepente as nuvens amadurecessem, e tudo ficou com aquela cor onde o amor já não se esconde mas se mostra.
Nesse momento a minha história passou a ser real.
Novamente vi que aquele cavalheiro que chegou também me era familiar.
Continuei na tentativa de me lembrar daquele rosto, no meu cérebro viajavam imagens à procura.
Ela mostrava as crianças e perguntou se também ele tinha netos, ele beijou os miúdos com carinho e continuou a olhá-la com um sorriso de amor e felicidade.
Já não se viam há muitos anos.
Naquele momento fez-se luz no meu cérebro, era da Beira que eu os conhecia.
Eles não se viam desde a descolonização, queriam saber tudo um do outro, falavam, e faziam perguntas quase ao mesmo tempo. Anterior a si mesma, a linguagem nascia dos anseios que os dois sentiam.
Naquele momento não havia mais ninguém na praça. Com aquela ardente e súbita alegria, deixaram de ver nada à sua volta, estavam eles apenas eles no seu intimo prazer de reatar o amor de tantos anos, ali no fim de uma tarde onde o sol se esvaía para o mar, restavam apenas aquelas pétalas de explosão, que incendiava a luz dos seus olhares famintos daquele amor, que o tempo não apagou.
Aquele era um amor antigo, mas um amor clandestino. Ambos eram casados quando se conheceram mas o destino tem destas coisas, não sei se alguma vez o viveram com intensidade, mas o olhar que passava de um para o outro desvendava muitos mistérios.
Nunca tiveram coragem de se desligarem das suas famílias, mas não conseguiram que manter aquela paixão invisível.
Todos comentavam mas nunca ninguém tinha certezas. Alma triste destes amantes, tão triste que até parecem nascidos dos nossos olhos, quando há uma lua no céu e o canto de um rouxinol anunciando o final de mais um dia.
Levantei-me, tinha que seguir o meu caminho, eu vivia em Setúbal e estava na hora de regressar.


Abril 10, 2009

como escrever um texto?


Semearei flores

Março 14, 2009

Semearei flores no teu caminho

Largarei a semente devagarinho

Nascerão todas, vou semear jasmins

o seu cheiro é enebriante,vais gostar

Porei a teus pés tudo aquilo de que mais gosto

Vão nascer viçosas,

São regadas com as minhas lágrimas

Tu já as não vês, mas que importa?

Plantei também pedacinhos do meu coração

Tudo para ti, um dia renascerão

O perfume do jasmim faz milagres

Depois, vamos divertir-nos apanhá-los

Como quem faz um puzzle…

À noite temos a lua para nos iluminar

Repartiremos o cheiro com ela

Quando pentear os seus luminosos cabelos

Vou pedir-lhe, um fio do seu cabelo de prata

Assim o teu caminho ficará mais brilhante

Ficarás inebriado  

Quero que caminhes sobre as minhas flores

E me leves para lá das estrelas

Sonharemos o mesmo sonho

E partiremos felizes…


Poema

Fevereiro 11, 2009

A Curia

Este  ano na Cúria,

o vento sopra mais forte

mas o sol perdoa ao norte

e aquece mais o dia.

As árvores baloiçam ao som do vento

voam folhas de mil cores a flutuar

o sol espreita a brincar,

baloiça o meu pensamento

que entre o sol e o vento

não sabe com qual ficar.

O lago está sempre atento

não liga muito para o vento

deixa-o passar com desdém

mas ao sol, ele o recebe

com carinhos de quem bebe

os beijos de sua mãe

Lurdes


Curia

Fevereiro 11, 2009

poema


As Netas

Agosto 2, 2008

Joana e Mariana

partem pela madrugada

na idade em que em seus encantos

começam o degelo dos sonhos.

=

Solucei sem ruido, e sem nome

solucei para dentro escondendo a dor

o grito de um soluço ao vento

de por elas sofrer de amor.

=

Não há limite na dor,

que em mim não se agita

agora que os seu rastos se perderam

no silêncio dos meu olhos

=

fugindo do nosso olhar

como um anoitecer sem estrelas

dos seres que mais amamos

e como viver sem elas?

=

Para as minhas netas Joana e Mariana,

que preencheram os melhores dias da minha vida

Braga- 22-6- 2oo8


A Tristeza

Agosto 2, 2008

a tristeza que me embala

para eu adormecer…

tira-me da boca a fala

do que tenho para dizer

««

vem de mansinho espreitar

no meu leito faz o seu,

deixas-me sempre a chorar…

tristeza do peito meu

««

e a minha alma cansada

de tanta luta te dar

abrete a porta com medo

não vás contar o segredo

porque me fazes chorar

«

já no meu peito entranhada

solta pedaço a pedaço…

no meu sangue faz pegada

e eu sinto falta de espaço

««

como cavalos alados

em loucura de viagem

tento apanhar os bocados

mas são apenas miragem.


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